terça-feira, 3 de abril de 2012

No trilho do trem


‘’Então me vejo no meio termo com se não fosse nem o trem, nem o trilho.  Apenas como aquele passageiro que as vezes para por ali para observar e quando pode ou acha pertinente, faz a sua contribuição para aquela cena, a qual de alguma forma, está inserido. O futuro passaria independente de o passageiro estar ali, mas a sua presença pode trazer mudanças ao que está por vir, seja para ele ou para terceiros.Ao observar, ele se apropria das qualidades do lugar e com isso, consegue acompanhar suas evoluções, olhar com os olhos de quem já aprendeu aquilo e ao mesmo tempo com os olhos de quem vê o inusitado, observando e aprendendo com a riqueza de detalhes de cada cenário, o barulho do trem passando, as pedrinhas que correm atrás do trem, as folhas amassadas e com um novo formato, o cachorro que late, o sino que toca, a simples e complexa respiração deste protagonista. Imaturidade misturado com maturidade, juntos no mesmo lugar.’’ 


Costumo observar a atitude das pessoas ao meu redor e sempre aprendo muito com isso.
Algumas atitudes me incomodam,  algumas pessoas me irritam, irritam por querer ser quem elas não são. Por medir, por ter pré-conceitos, por simplesmente julgar quem é diferente delas.

Acho que em 1 ano de blog, em muitos dos textos, esse sentimento foi alvo das minhas críticas. Ele é constante nos meus pensamentos.
Claro que tento me adaptar as situações da vida, senão não estaria seguindo a receita: estudar, fazer uma faculdade, trabalhar, crescer, ganhar dinheiro....mas confesso que sempre aceitar e me adaptar à pessoas com valores tão diferentes dos meus, nunca foi fácil de fazer.

 
Não procuro me aproximar de pessoas que não me fazem bem, apenas por interesse. Minhas ambições de vida, não trilham por esse caminho, Acredito em afinidade, energia positiva e carisma. Acho que assim como o passageiro que está sentado no meio trilho, eu observo e como posso, faço a minha contribuição à vida. Parei um pouco com o verbo relutar e estou aceitando a cada vez mais o verbo adaptar, pois mesmo que inevitavelmente, faço parte dessa sociedade e isso não tem como mudar. Sempre fortalecendo que prefiro estar em companhia dos meus valores, das coisas que eu realmente acredito e das pessoas que se parecem comigo.


Na última semana tive a oportunidade de conhecer e estar com pessoas de diferentes nacionalidades: romenos, poloneses, espanhóis, americanos, franceses e inclusive brasileiros. Isso me trouxe mais culturas, valores e crenças bem distintos dos meus. Porém todos tinham algo em comum, que no meu ver são essenciais: humildade e boa vontade. Boa vontade por estar ali, se dispondo à conhecer gente nova, humildade por apresentar à desconhecidos as suas fraquezas e fortalezas, não tendo vergonha disso, nem menosprezando os outros por conta das suas diferenças.


Uma das conversas com um polonês, foi sobre felicidade.
Rapidamente apresentei uma resposta pronta sobre esse tema. E então foi a vez dele falar, começou se desculpando e dizendo que logo de cara já pensava muito diferente de mim. Dizendo que sabia que havíamos sido criados em culturas completamente diferentes e mesmo assim se espantou com a minha resposta. Quis então saber quais eram os planos dele para se atingir a felicidade, então ele me disse que tinha como ambição conhecer pessoas, as mais diferentes pessoas, os lugares, as culturas, as riquezas históricas de cada país, pois isso sim fazia dele uma pessoa realmente rica e feliz. Ter um baú repleto de experiências, dos mais diferentes tamanhos e cores, ter história para contar. Colocando isso na frente da neura de querer casar e ter filhos antes dos 30, do carro da moda, do apê bem localizado, que a sociedade atual ‘exige’, ou seja, mudando o foco das prioridades, para realmente fazer a vida valer a pena.


Como boa capricorniana e pé no chão que sou, peguei o bom de cada uma das opiniões e 
reforcei as minhas. Abri ainda mais a minha mente para o outro, para o diferente de mim. Resultado positivo, mais uma cena que acontece.

Carregado de emoções, escrevi esse texto expressando o que sinto, com cenas que vivi dentro e fora de casa, do trabalho, da sala de aula. Espero que tenha feito algum sentido, além das palavras jogadas num pedaço de papel.
 

Ontem li um ‘bilhetinho da sorte’ que dizia: O abraço de um urso pode afagar, mas também pode matar, você só se dará bem no mundo, se souber se adaptar’, assim como no trilho, você deve saber a hora se de levantar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Peter Pan

A busca deveria ser pelo equilíbrio e não pela felicidade!

Quando somos jovens vivemos em função dos nossos frios na barriga. Desde que nascemos somos cercados por novas sensações, descobertas, brincadeiras, novos amigos. Aprendemos a andar, falar, escrever, temos a primeira apresentação na escola, a primeira namorada, a viagem de Porto Seguro, a carteira de habilitação, o trote da faculdade... Poderia listar enumeras experiências que passamos nos primeiros anos de vida, mas o ponto que quero chegar é mais simples que isso.

Vivemos os nossos 20 primeiros anos de vida sob a constante do novo instaurada nas nossas vidas. Começamos os relacionamentos e as paixões que nos tomam o corpo e nos conduzem no passar dos dias. Com o tempo, nos estabilizamos e quando não sentimos o mesmo frio na barriga ao qual fomos ‘educados’ a sentir, nos achamos impotentes e infelizes, buscamos aventuras fora do relacionamento, mudamos de emprego, pegamos uma balada louca, fazemos viagens, mudamos de casa. Tudo com o simples desejo de querer sempre mais, querer sentir de novo (e com frequência) o tal do frio na barriga.

Tem até gente que não se acostumou com a vida adulta e com o fato de não ter tantos frios na barriga como antes, que ainda não aprendeu que cada fase da vida tem o seu sabor. Vivem o mundo do Peter Pan, aos 30, 40 anos...O amadurecer, o relacionar-se, o cotidiano e mesmo o ‘permanente’ tem seus prazeres. A companhia do outro e essa estabilidade emocional e profissional nos fazem bem, nos fazem crescer, nos deixa forte para encarar as situações de forma mais madura e prazerosa. Mas isso às vezes fica oculto para alguns e as pessoas entram em discussões eternas sobre a felicidade e a busca do eu interior.

É claro que sou a favor de sentir o sangue correndo nas veias, de me sentir vital para conseguir o que quero. Muitas vezes o meu combustível é justamente esse frio na barriga, como sempre escrevo nos meus textos, sou apaixonada por isso, pelos detalhes, pelos mínimos detalhes que enchem o meu dia de esperança e de uma sensação gostosa de que estou no caminho certo.

Lembro-me perfeitamente da felicidade que senti dentro de mim no momento que realizei um grande desejo. Às vezes quando me sinto muito angustiada, até mesmo triste. Geralmente esse sentimento está atrelado a necessidade de realizar alguma grande ação. Preciso tornar concreto um desejo para me sentir viva.

Acredito que o certo mesmo seria tentar buscar o equilíbrio entre esses frios na barriga e a estabilidade, sabendo desfrutar o lado bom de cada um. Dessa forma, muitas das nossas atitudes/sentimentos na vida adulta poderiam ser justificadas.

Ou seja, ser um Peter Pan de terno e gravata, é possível?

quinta-feira, 15 de março de 2012

Simplesmente simples!


Às vezes passamos por momentos repletos de detalhes, carregados de muitas sensações, momentos que trazem simplesmente tanto!

Sorrisos, olhares, gestos, que valem muito mais que beijos e abraços!
Sorrisos, olhares, gestos que se eu me meter a tentar explicar vou precisar muito mais que um simples texto e, mesmo assim, acho que não vou conseguir explicar tão simples momentos!

Simples ao ponto de serem complexos em nossos pensamentos.
Simples ao ponto de eu não conseguir descrever, de eu não conseguir explicar em tão simples palavras!
Simplesmente só consigo explicar para mim mesmo, que quero viver a vida com mais simples momentos como esses.

A sensação de borboletas na barriga, que nos faz levitar. A sensação indescritível que está atrelada a esses memoráveis momentos.
A sensação de estar vivo e saber que ainda posso mais, muito mais.

Sonhar e imaginar os momentos, vê-los se transformando em realidade. Fascinar-me e apaixona-me pelos simples detalhes.
Se preciso for, vou roubar o ‘simples’ para transformá-lo em simplesmente e poder desfrutar desses momentos, sempre.

Adaptado por Carol Sibille.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Areia, mar e cuca fresca: minhas férias no Brasil.

Começo esse texto puxando a sardinha para o lado do Brasil. Conheço muita gente que faz trips internacionais e escreve minhas férias na Califórnia, Eurotrip, férias em Saint Tropez e por aí vai. Por que não Férias no Brasil? Andei estudando e vi que o Brasil utiliza apenas 5% do seu potencial de turismo. E mesmo tendo lugares lindos, o povo continua insistindo em pagar os tubos para passar uns diazinhos fora.

Pois então, vamos lá! Comecei minha brazucatrip no Rio de Janeiro. Não precisei ir tão longe para me certificar que tinha ido ao lugar certo. Paraty foi a primeira parada, fiquei na praia do Jabaquara, brincando com os cachorros da região, deitada na areia e nadando em seu mar de lama. Conheci a praia do Pontal, tropecei nas pedras do centro histórico construído por escravos, comi os doces caseiros típicos da região. Fiz passeio de escuna, vi e nadei em praias e ilhas lindas, pulei do convés do barco no meio do oceano, nadei com os peixes.

Ouvi muitas histórias diferentes, desde os donos gringos das pousadas que fizeram riqueza no Brasil, até simples paulistas que largaram suas vidas para morar na cidade e trabalhar nos quiosques de praia ou no cais. Dizem que basta pular a corda da entrada da cidade, beber a cachaça local e olhar para a lua, para que você se apaixone por Paraty. Acho que isso aconteceu comigo e eu adorei.

Falando com um rapaz que trabalhava em um quiosque, ele me contou que seguindo a trilha que dava na casa dele "ali, logo atrás de todas aquelas montanhas", encontrava-se uma praia paradisíaca que quase ninguém conhecia. Peguei a BR 101 e depois de 20 minutos, cheguei ao Areal do Taquarí, trilha a pé de 10 minutos e uma paisagem privilegiada.

O mais bacana, foi ao perguntar uma dica de cachoeira para visitar, eu e o meu namorado fomos indicados a falar com um cara. Tamanha hospitalidade do garoto, dia seguinte estávamos no carro dele, subindo as estradas a caminho dos picos mais irados da região.

Conhecemos a cachoeira do Tobogã, por conta do limo nas pedras, podíamos surfar de pé ou sentados a caminho de um poço natural de água bem gelada, depois fomos no poço do Tarzan, com pedras enormes de 12 metros que serviam de trampolim, e por último no poço dos Ingleses onde os garotos podiam se pendurar em um cipó e lançar seu corpo contra a água. Paisagens exuberantes.
Também pudemos degustar de cachaças locais, conheci e me apaixonei pela Gabriela cravo e canela, doçura com um toque indiscutível de cana, trouxe uma de lembrança.

Esse mesmo cara nos levou almoçar, apresentou novos amigos e encerramos a noite com um churrasco, trocando experiências na casa de um salva vidas da região.

No dia seguinte, também por indicação, fomos para Trindade, a partir da praia do Meio, pegamos um barco até uma piscina natural onde conhecemos 2 hips que passamos as próximas 3 horas conversando. Falamos sobre comidas vegetarianas, a vida nômade, a arte do artesanato, as campanhas políticas que se mostram interesseiras apenas quando convém, o fato de como a vida pode ser bem mais interessante quando desfrutada fora dos centros estressantes de São Paulo, famílias e suas relações e estilos de vida. A conversa me fez refletir sobre algumas escolhas que já fiz e ainda farei na minha vida.

Depois, por meio de uma trilha de intensidade média, como estava descrito, chegamos na praia do Cachadaço, única em sua cor e beleza, porém com a presença dos cabelos de Iemanjá sobre as ondas, forte demais!

Almoçamos com o pé na areia e seguimos rumo a praia do Prumirim, também linda e com uma piscina natural. De lá dormimos em Ubatuba, numa pousada em Itamambuca, curtimos a praia da região embaixo de uma sombrinha natural e vendo a dança das Marias Farinhas na areia. Depois praia Vermelha, lá, fiz uma brincadeira simples e sozinha, que valeu mais do que muitas seções de terapia, juntei e analisei cada conchinha que me rodeava. No fim, o barulho delas em minhas mãos, reproduziram uma melodia única que decifrava o que eu estava sentindo, pois era composta pelos pedacinhos do mar que eu mesma havia escolhido.

No dia seguinte, parti para a praia Almada, na minha opinião uma das mais bonitas. Espreguiçadeiras, ilhas lindas ao redor, um mar quente, tranquilo e refrescante, curti 5 horas de praia ao som de Beatles, Santana e Rolling Stones.

Passei na praia do Félix e me assustei com a quantidade de côcos jogados no chão. Alguém vai tirar aquela sujeira de lá? Ou só pensam em ganhar dinheiro com os gringos e deixam a sujeita para traz? Enfim, muitas sombras naturais bem agradáveis, o visual era lindo, valeu a visita.

Voltando, passei em Toque Toque Grande e em sua cachoeira, corajosa uma mulher que encostou seu carro na estrada, ficou feliz quando me viu (assim, ela deixava de ser a única mulher da região) e entrou na trilha atrás de mim. Passados alguns minutos, eu já ia embora e ela resolveu ficar, mesmo sabendo que a companhia era de mais 4 homens só de cueca da DERSA que se refrescavam por lá. Ela corajosa demais ou eu paulista demais? Fiquei pensando.

De lá, parti para praia de Maresias e sua beleza sem igual! Conversei com um cara da região que me disse que o mar está sempre com a qualidade de limpeza altíssima, era notável devido ao seu mar azul e sua areia limpinha. Passei dois dias por lá, treinei meu inglês com alguns alemães e ingleses, show de bola.

Então a viagem chegou ao fim. Depois de ver todas essas belezas, tenho certeza que moro num país abençoado por Deus e bonito por natureza.

Com certeza, valeu cada centavo e tempo investido.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bem me quer.

E cada vez mais eu percebo que relacionamento é um investimento.
Você destina seu tempo, sua atenção, seus 5 minutos entre um email e outro, suas férias, seus finais de semana e para os casados/ajuntados, a mesma cama, todos os dias.
Claro que vale mencionar os bons e os maus momentos que se está junto, existe uma parceria e uma cumplicidade que é difícil de desvencilhar. Mas aqui estou me referindo ao montante, a quantidade de tempo investida em cima de uma mesma 'coisa', mesma pessoa.

Vou comparar o relacionamento com um investimento e fazer a analogia a compra de uma casa, que também tem grande custo/impacto na vida das pessoas. Quando assumimos esse compromisso, nos dedicamos diariamente a cuidar, a trabalhar para que seus gastos sejam pagos e a zelar por ele, pois sabemos que lá será concebido o seio familiar ou pelo menos o passar dos seus dias por um bom tempo.

Temos esse cuidado com nossa casa, certo? Por ter nos custado dinheiro, representar uma conquista e ter um valor grande para nós.
O mesmo podemos dizer dos relacionamentos? Acho que não. Mas por que não tomamos os mesmos cuidados? Por que uma briga pode separar duas pessoas, por que um beijo e uma atração pelo sexo oposto (ou até mesmo sexo) pode ferir os sentimentos dos parceiros e mesmo assim vamos lá e o fazemos? Por que mentimos, nos enrolamos, temos conversinhas paralelas, escondemos e traímos a confiança do outro?
Acho que a resposta para muitas dessas perguntas é o egoísmo. Muitas vezes queremos satisfazer as nossas vontades e quando vimos isso prevaleceu na frente do que havia sido acordado, num compartilhar de sentimentos prévios.

Diferente da compra de uma casa que é praticamente uma ciência exata (quanto ganho, gasto, devo, guardo), o sentimento é exatamente o oposto, justamente porque contamos com o sentimento das outras pessoas e aqui envolvo outros atributos, como interesses, objetivos, ego, carências e expectativas para que seja possível construir uma relação.
Quantas vezes ouvi conselhos como 'esquece esse cara' e depois ouvi outra pessoa dizer para a mesma situação 'calma, tenta conversar de novo, tenta ajeitar as coisas'. Isso para mim revela a maturidade de levar a sério todos os tipos de investimento sejam financeiros, profissionais ou de relacionamento, e não abrir mão com tanta facilidade do que se ama. A maturidade está em saber conversar, saber relevar, saber distinguir o que realmente é sério e está intrinsecamente relacionado à maturidade de um relacionamento. Isso fará mesmo diferença daqui a um mês?

As vezes nos vemos insistindo em uma situação que já acabou, como meu pai diz, damos ‘murro em ponta de faca’. Nos dedicamos dia a dia dentro de um relacionamento, mas só quando a coisa aperta, conseguimos perceber que as vezes estamos ‘jogando’ sozinhos, apostamos todas as nossas fichas, mas nosso parceiro não aposta mais nenhuma.
Existem tipos diferentes de relacionamentos, não é? Já mencionei em outro texto, mas minha intenção naquele momento era falar de forma mais emotiva sobre as razões que nos levam a amar e ser amado de qualquer forma. Hoje estou mais fria, estou mais seca e isso me levou a tentar, mais uma vez, desvendar essas razões do amor.
Vale a reflexão de saber, com maturidade, a hora de parar.

Bom investidor é aquele que sabe parar quando percebe que seus negócios não valem mais a pena. Pára antes de se machucar e não é aquele que machuca sem nem se preocupar.
Sabe analisar os riscos, sabe gostar mais de si mesmo. Sabe conhecer, interpretar, sentir e pular fora quando preciso for.

"Vejo chorando por amor, menina-botão de flor quando conheceu o amor.
Se abriu, se mostrou, se fez bela, menina bela e agora és triste e não consegue entender porque a primavera se foi e levou seu amor.
Se sente sozinha em seu jardim, acha que o mundo acabou e quer se jogar ao primeiro roseiro que passar.
Não quer mais florir, dar o ar da sua graça, arrancar suspiros apaixonados, se mostrar bela com suas formas e cores radiantes. Com sua maturidade e delicadeza que lhe competem. Quer apenas hibernar e se render até a próxima estação...esperando a dor passar. Sem fazer o bem me quer com quer que for..."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Coincidências felizes!

Começo esse texto com a imagem ao lado. Estava vendo um site de notícias na internet, quando deu um bug no sistema e a única mensagem que ficou visível foi essa: ‘’Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez’’. Coincidência?

Tem gente que acredita em destino, no futuro escrito na palma da mão, no acaso e nas forças maiores que nos levam a vivenciar algumas situações.
Existem outros que são mais descrentes que acreditam que as coisas apenas acontecem. Acho que independente de qualquer crença existe a coincidência. E ela me fascina.

Comecei a escrever esse texto por conta de uma delas, que ainda não identifiquei como um fato sincronizado na minha vida ou apenas mais uma casualidade do dia a dia.
Então, eu fico pensando que foi mais uma grande coincidência. E quando reparo na frequência que isso acontece e presto atenção nos detalhes, vejo que muitas vezes a situação que vem a seguir foi precedida por um pensamento meu. Não estou alegando que tenha algum poder sobrenatural nisso, mas que as vezes a força do pensamento desencadeia uma série de atitudes que podem nos surpreender.

Em grande parte quando minhas coincidências acontecem, eu quis aquilo. De alguma forma pensei, falei, escrevi ou apenas olhei, resenhando a situação que eu queria que se colocasse na minha frente. E pronto, lá está ela concretizada: ‘’nossa, não acredito que isso aconteceu de novo’’.

Penso que tudo nesse mundo é feito de energia, até os menores átomos existentes. Essa mesma energia faz com que a vida se movimente e se construa, acontece que nem sempre conseguimos acompanhar e interpretar essas situações e julgamos como uma simples coincidência. Nós seres humanos, temos uma capacidade gigante de percepção, mas acabamos por não filtrar e reparar na riqueza com que as coisas maestrosamente acontecem.

Fui buscar no dicionário o significado dessa palavra, encontrei ‘simultaneidade de diversos acontecimentos’. As vezes queria poder escolher quais elementos quero sobrepor, quem queria que me ligasse, que me encontrasse na escada, que história queria viver e até a coincidência que queria sentir. Acho que seria divertido poder manipular certas cenas, mas o meu tão querido ‘frio na barriga’ deixaria de existir, tudo sairia sem sal, como uma tarde de segunda feira, chata.

A coincidência pode estar num simples pensamento. O livro O Segredo de Rhonda Byrne, diz que se realmente acreditarmos e destinarmos nossas energias para algo que queremos muito, a probabilidade de isso acontecer cresce numa escala absurda, sempre penso nisso quando almejo algo. Tento usar essa energia positiva ao meu favor e tirar proveito.

"Costumo desejar "coincidências felizes" para os amigos que quero bem, quando vou fazer minhas recomendações para o próximo ano."

Espero viver muitas delas nesse ano de 2012.

Sou aquela

''Sou eu aquela...aquela segura, que muda de opinião toda hora. Aquela perfeição, que tem mil defeitos. Aquela quieta, que adora conversar. Aquela vingativa, que perdoa. Aquela malandra, que cai feito patinha. Aquela insegura, que sabe o que quer. Aquela apaixonada, que ama com medo de se arrepender e ignora pra não sofrer mais. Aquela indecisa, que vai embora quando quer ficar. Aquela fácil de acreditar em promessas, que acredita em palavras, mas não tem certeza. Aquela confiante, que confia no hoje e desconfia do ontem. Aquela que se sente sozinha quando há tantas pessoas ao seu lado. Aquela esperta, que entende quando precisa ser entendida. Aquela decidida, que de vez em quando volta atrás. Aquela cantora de chuveiro, que canta músicas pra tentar esquecer. Aquela corajosa, que tem medo. Aquela diferente, que não te vê do jeito que todos veem e percebeu que o comum não a atrai. Aquela que sempre quer um começo, mas tem medo do fim.''

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Primeiros passos!

‘’Há 7 anos, entrei no meu primeiro estágio em uma importadora japonesa de vestidos de noiva. Ganhava bem pouco para trabalhar 8 horas. Minha função era ajudar a 'criar' um departamento de mkt dentro da empresa. Tarefa difícil para uma caloura e 3 chefes que quase não falavam a minha língua. Depois de 2 meses pedi as contas sem saber o que me esperava pela frente, apenas queria tentar e enfrentar o novo. E queria que fosse logo! Tinha pressa, não conseguia e nem queria esperar.’’

Hoje me vejo conquistando mais um pedacinho de boas coisas. Fechei meu intercâmbio para o Canadá, ficarei 1 mês estudando inglês, morando em uma casa de família, tomando café, almoçando e jantando com gente desconhecida, dividindo quarto e fazendo viagens com pessoas de diferentes nacionalidades. E o melhor de tudo, essa será uma conquista minha! Estou empolgada com a viagem, com os preparativos, com a escola e os finais de semana que curtirei lá. Ajudei muitos amigos a arrumar as malas e levei-os ao aeroporto. Sempre entregava a eles uma cartinha com os meus desejos, para que fizessem uma excelente viagem. A cada linha, transcrevi o pedacinho de um sonho, que não sabia se um dia tornaria-se realidade, agora, está mais perto do que nunca.
Acho que a sensação será inexplicável. Êxtase misturado com medo, euforia com apego, felicidade com maturidade.

Como diz um amigo, aprendi a não fazer mais promessas que não possa cumprir. Não nesse momento. Sei o que quero, sei o que tenho que fazer para conquistar meus objetivos e é para lá que eu vou. Não há nada melhor do que saborear cada pedacinho das coisas novas. Acho que elas, apesar do frio na barriga, te dão uma injeção de energia, fazem você se sentir vivo. Igual quando escuto uma boa música, sou capaz de colocar no repeat 20 vezes e quanto mais escuto, mais recarrego minha força de vontade.

Sem me apressar, vou acompanhando tudo o que acontece a minha volta. Os valores diferentes, as opiniões, os olhares, os desafios, as percepções. E isso ajuda a preencher meu repertório de vida, registro todos esses momentos e encaro-os como um grandioso aprendizado.
Não tenho motivos para correr, ficar ansiosa ou dar um passo maior que a perna. Quero esperar, quero ter certeza e quero saborear a conquista.
A magia que tanto vejo no ar, a magia e o meu jeito as vezes doce, meigo e brincalhão demais de compartilhar pequenos detalhes e de traduzir os momentos em uma simples cumplicidade no olhar.
É natural e eu simplesmente sei. É essa a tranquilidade que estou sentindo.
Louco isso, né?

Se tivesse essa mesma certeza há alguns anos, acho que sofreria menos por amor, clientes e intrigas.
Ainda sofro, ainda me preocupo, ainda quero mandar mensagens, ainda quero questionar. Mas raciocino muito mais do que antes, e a importância que dou para cada coisa, reflete no quão relevante ela será para mim no futuro e para a satisfação dos meus anseios.
Se isso é chato? Acho que não seria a palavra certa, acho que é apenas o tempo. Ele que me fez chegar até aqui.

Dei os primeiros passos do meu ano. E logo mais vou arrumar as malas e decolar voo, levando tudo isso na bagagem.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Agora quero mais!

25/12/2011, comemorei 25 anos. Apesar de ver que me distanciei dos 18 e me aproximo cada vez mais dos 30, vejo o quanto o tempo fez bem para mim.
Ao final de mais um ano, fiz algumas reflexões sobre o que vivi. Alguns amigos puderam acompanhar pelo blog minhas semanas, mas teve muito mais.

O ano já começou com mudanças profissionais nos clientes que atendia, tive o prazer de conhecer gente nova, entender de um business diferente e fazer novos amigos. Dei um pulo de felicidade quando recebi a notícia que havia passado no curso Professor do Futuro. Ao longo do ano pude estar ao lado de profissionais maravilhosos que contribuíram para meu crescimento. Aulas, livros, alunos, chamadas e um mundo completamente diferente do que estava acostumada, lecionar (ou apenas tentar) é uma sensação inexplicável.

Mudei de emprego, conheci mais uma centena de pessoas, novos clientes, novos brilhantes superiores, outra rotina, situações fora da minha zona de controle. Aprendi a não lutar contra aquilo que fora colocado na minha frente e sim colocar essas situações a meu favor e aprender com isso.

Mergulhei no inglês, fiz uma tatuagem, estudei muito, conheci Mato Grosso, operei meu nariz, troquei de academia, li um monte de livros, fui namorada, filha, colega e principalmente amiga. Vivi momentos únicos ao lado da minha família, os quais aprendi e senti na pele as dores do amor, aprendi com essas experiências, vi lados do ser humano que ainda não conhecia, aprendi a dar conselhos que não sabia que sairiam da minha boca. Fui paciente, esperei os dias passarem e levarem a dor de quem amo embora. Surpreendi-me com o resultado final.

Ganhei primos novos e com eles sorrisinhos incríveis, brinquei com meus avós, amadureci o relacionamento com meus pais e irmãos.
Montei meu blog e colhi os mais lindos frutos. Gerei reflexões, recebi elogios e diferentes comentários. Aproximei-me de pessoas novas por conta das minhas opiniões e forma de interpretar a vida.

Chorei de tanto rir, chorei de cansaço, chorei de medo de perder, chorei de felicidade, tive frios na barriga que recarregaram minhas energias. Me arrepiei, dei sorrisos sinceros, sorri com os olhos (...), conheci o novo. Desfrutei um mundo de lindas emoções.

Nesse ano, vi que sonhar nos leva à mundos paralelos, permite que imaginemos diferentes fantasias. Faz com que nosso inconsciente realize os mais secretos desejos, num simples gesto de fechar os olhos e imaginar, levar seu corpo para longe e deixar a imaginação fluir.
O sonho tem o poder de juntar os fragmentos de uma realidade e transformá-los em uma história completa de significados e sentimentos. No final de 2010, ao fechar os olhos, sonhei com um mundo lindo. Fiz minha oração na passagem de ano desejando o que pudesse existir de melhor para mim e toda a minha família. E acho que conquistei tudo isso.

No final deste ano, todos os votos que recebi, retribuí em dobro, com a expectativa que ao emanar boas energias, elas voltarão para mim de forma positiva. E assim o ciclo continua, carregado de boas energias.

Aprendi, cresci e aprendi.
Assim defino esse ano. Crescimento e aprendizado. Um mundo de informações foi despejado em cima de mim todos os dias e dele me banhei. Agora quero mais.

Quero ir longe, quero me apaixonar sempre por tudo o que fizer, quero mais força de vontade. Quero mais lições, ensinamentos, aprendizados.
Quero ser fiel naquilo que acredito, quero ser coerente em minhas atitudes. Quero o amor que me faça forte e imbatível. Quero energias inesgotáveis, quero criatividade. Quero lindos textos, quero vontades. Quero a sede da juventude batendo na minha porta. Quero testar as mais distintas emoções. Quero a sensação de ser imortal.
Quero me transportar para todos os lugares que desejar. Quero emoldurar mais melhores momentos.

E como diz uma amiga, quero estar junto e transformar as saudades constantes em risadas frequentes.

Feliz 2012!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pensamentos velozes.

A brisa batia na janela, fazia aquele barulho de madeira antiga se movimento contra o vento. Na varanda, o cachorro vira lata dormia todo esticado, era possível observar apenas seu tórax se movimentando.

O jardim de Monet estampado na antiga tela fixada na parede da sala, observava as flores do lado de fora, que brincavam com o ar e com as abelhas que vinham beijá-las.
O banco amarelo de madeira envelhecida, forrado com uma fina almofada branca que fora preenchida com a paina colhida na última estação, abrigava um corpo leve e quente.
Os chinelos descansavam lado a lado e tomavam conta dos redores. Pernas cruzadas.

Lá estava ela, sentada com seus cabelos loiros, longos e enrolados, um diário e uma caneta na mão. Não conseguia controlar os impulsos de sua mente que atravessava rapidamente entre todas as possibilidades.
Mente com pensamentos que corriam velozes entre as colinas, que pulavam todos os obstáculos, que pegavam carona numa canoa que passava tranquila e davam uma folga para tantas emoções, pensamentos que se esfriavam tomando um banho nas geladas águas da cachoeira.

Eram 3 horas da tarde, o chá estava pronto repousando ao seu lado. A fumaça vinha quente acariciar o rosto dela e instigar com seu cheirinho doce. Despertava uma inspiração mais profunda.
O caderno sem linhas, pois assim era possível escolher a proporção que cada palavra tomaria, começa a ser escrito.

Ela estudava as palavras exatas para expressar aquele sentimento.
Quase que escapava da mão a sensação de auto controle. Seus olhos brilhavam ao mesmo tempo que seu coração disparava apenas por pensar no que acontecera.
Esse misto de emoções era traduzido no papel, ela queria escrever para eternizar aquele momento, mais que isso, queria que as palavras tomassem vida sempre que relidas e proporcionassem a mesma sensação de bem estar sentida na primeira vez. Descarga de boas energias, que o corpo agradecera.

Anterior àquele episódio, muitas vezes ela imaginava como seria, mas seu juízo roubava-lhe o pensamento e obrigava-a a voltar com os pés para o chão.
Pensava no cheiro, na textura, no calor, no coração acelerado, na troca de olhares e no momento que as bocas iriam se encontrar. Para que pensar tanto se tal cena talvez nunca se concretizasse?

E então o grande dia.
De repente no palco só estavam presentes ela e ele. A lua cheia iluminava seus rostos e observava de longe o que acontecia, já sabia como aquele espetáculo iria se desenrolar.
Algumas caricias trocadas, palavras jogadas ao vento. Sentia que ficaria todo o verão remontando aquele dia, enquanto estivesse sentada em seu banco amarelo.

Naquele momento tocava uma música leve ao fundo e o cheirinho de dama da noite banhava o espaço.
Foi uma questão de tempo para que os corpos pudessem se aproximar, as mãos quase que geladas e meio trêmulas se tocassem e então os olhos já semi cerrados se fechassem por completo, dando vez para o memorável beijo.

O beijo. Perfeito, inesquecível, incontrolável, um misto de desejo e realidade, de proibido e fatalidade. Era inevitável. Apenas aguardava o tempo certo de acontecer.

Fim do primeiro ato.