sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vestindo a camisa.


Percebo quando escuto pela segunda vez que já aprendi. Consigo rapidamente absorver a nova informação e ter o mesmo conhecimento que você, sem que para isso precise ser pior nem melhor.
Percebo que me sinto realmente mal quando me vejo diante de preconceito, seja ele de qual tipo for.

Sei ser educada e cumprimentar as pessoas quando sou visita, aprendi as palavrinhas mágicas ‘por favor’ e ‘obrigada’.
Aprendi que falar baixo é de bom tom, falar palavrão o tempo todo é feio. Aprendi a ser humilde e pedir ajuda quando não sei alguma coisa.
Aprendi a me dar valor, para que assim os outros possam me respeitar.

Sei que se magoar minha mãe, ela vai chorar e isso vai cortar meu coração, o que fará o dobro de mau a mim do que fiz a ela. Sei que se magoar meu pai, ele vai ficar em silêncio, um dos mais doloridos que já senti. Por isso aprendi a respeitar, a não gritar mais, apesar de ainda continuar um pouco teimosa.

Tive a sorte de ter um melhor amigo e uma melhor amiga morando no quarto ao lado, tendo o mesmo sangue e sobrenome que eu. Sorte de poder chamá-los de irmãos legítimos.
Acabei nascendo como caçula e com isso aprendi como são os homens e as mulheres no dia a dia, com idades próximas a mim. Mais que isso, tive referências que compuseram parte do meu caráter.

Ensinei meus avós (super fechados) a dizerem "eu te amo" quando é isso que eles ouvem da minha boca, me orgulho mesmo esse ensinamento ter vindo aos seus 85 anos.
Com meu jeito, fiz com que o clima lá em casa sempre fosse mais ameno. Rindo e lidando de um jeito leve com as provações que a vida me colocou, e olha que não foram poucas...
Aprendi a lutar pelo o que eu queria, a brigar pelos meus direitos. Sem que para isso precisasse passar por cima de ninguém, nem usar de nenhum tipo de artifício.

Então, aos 12 anos resolvi fazer uma tatuagem junto com a minha irmã. Buscávamos um símbolo que representasse nossa amizade. E então chegou o esperado momento. Defini que faria algo que representasse as pessoas que mais amo nessa vida e, que foram os responsáveis por literalmente tatuar meus princípios e valores, nas minhas atitudes, hombridade, educação e maneira de viver a vida.
Por minha família me apaixonei e aprendi o que era amar e respeitar incondicionalmente.

O desenho escolhido foi um triângulo com os três lados iguais, representando meus pais e meu irmão mais velho, embaixo está a data de nascimento da minha irmã (igual ela fez para mim há 1 ano).
O triângulo equilátero remete ao equilíbrio, é um dos únicos elementos da trigonometria que se você conhece dois dos lados, saberá como é o outro. E é assim que acontece na minha família.

Amo e dou valor, sei que é o que tenho de mais importante nesse vida. Por eles, literalmente visto a camisa.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mulher

‘’Ela sabe o que fazer quando quer chamar atenção.
É uma arma poderosa para conseguir o que quer, não apenas quando lança mão da sedução, mas quando mexe no cabelo, quando encosta sua mão macia, quando passa e deixa um cheiro doce e gostoso. A mulher é gentil, é madura. Se preocupa com os detalhes, é feminina no seu jeito normal de ser. Fascina sem querer e envolve com seu jeitinho atraente por natureza.’’

Começo descrevendo as partes do corpo e suas peculiaridades.
Lindos os pés quando estão bem cuidados, a escolha do sapato que faz a diferença e deixa transparecer sua personalidade.
Ao colocar um salto alto quando quer parecer mais imponente ou um sapatinho delicado para mostrar seu lado meigo, até mesmo o tênis entra no jogo para revelar a preocupação com a saúde.

Pés no chão? Nem sempre. Algumas mulheres vivem como se estivessem pesando em nuvens de marshmallow. Não se preocupam com as consequências que causarão se entrarem em determinado lugar, apenas vão e agem como bem entendem.

As pernas torneadas, bem cuidadas. Que quando cruzadas instigam apenas por estarem ali. Esperando para serem observadas. Pernas que andam apressadas, correndo atrás dos objetivos, para permitir que a mulher atinja sua auto realização.

Mil e uma dietas para manter a barriguinha no lugar e o bumbum empinado. Barriga que abriga um filho, que é responsável por gerar uma vida.
Que com sua silhueta enfeita os vestidos, que se encaixa perfeitamente nas mãos seguras dos homens perfeitos.

Peitos tímidos, exagerados, suficientes, sejam como for, são sempre um referencial para se identificar uma mulher. Além de serem mais uma arma para chamar atenção do sexo oposto.
São responsáveis pelo leite materno, por nutrirem a vida de um pequeno e indefeso início de vida.

Colo que acalma, acolhe e se movimenta forte nas emoções. Peitoral que abriga o coração. Coração muito delicado de uma mulher, sensível a um beijo de novela, a um não do homem que se ama. Que aguenta a dor da partida e fica dilacerado em mil cacos que inicialmente parecem nunca mais ser possível juntar. Coração que se recupera e ressurge mais forte, trazendo ainda mais qualidades e aprendizados para a mulher.  

Braços, que apertam e abraçam e envolvem e agarram e seguram e protegem o que se ama.

Mãos que afagam, macias, com marcas da vida. Apresentam unhas bem cuidadas, que trazem esmaltes como mais um sinalizador da personalidade / humor da semana.
Que mulher não se lembra quando começou a usar esmalte vermelho e se sentiu mais poderosa por isso? Unhas que arranham, que seguram com todas as forças o que não querem deixar correr entre os dedos.

O pescoço traz o cheiro puro do sexo feminino. Abriga o perfume que mexe com os homens e acalma um filho. O cangote alucina com seus contornos e temperatura e segura ela, a mais indecisa de todas as partes: a cabeça de uma mulher.

Amiga
Carinhosa Antenada Briguenta Esforçada Cuidadosa Amante
Dengosa Engenhosa
Universal Menina Apaixonada
Mulher Única Linda Honesta Elegante Racional

Composta pelos olhos que traduzem a alma, que não escondem a verdade e literalmente valem por muitos significados. Que ficam antenados e até quando nem começou a acontecer, já sabem no que vai dar. Que se emocionam e trazem a tona as curiosas, as vezes tristes, lágrimas que querem acompanhar o que está acontecendo.

A boca, sedosa e macia, as vezes fala demais. Ela que orienta, joga conversa fora, transmite as mais lindas canções de ninar e traduz em palavras o mais puro significado de amar.
Bocas de degustam os bombons que ganha no dia dos namorados, e jamais se esquecem daquele beijo.

Dizem que as mulheres são mais auditivas que os homens. Eu concordo. Quem não gosta de ser elogiada, de escutar juras de amor?
A mulher não só escuta, como faz daquilo seu combustível para os próximos dias. Dependendo da forma como a história é contada, um trechinho já é suficiente para uma mulher criar uma novela inteira. Mente fértil...não é a toa que existe essa expressão.

O nariz sente o cheiro das rosas quando chegam aos seus braços, percebem o cheiro do capim molhado, da madeira fresca, e até da mentira mal contada. Possibilita uma mulher de desenvolver poemas replicando o mais lindo e gostoso dos sentidos, o olfato.

A mente, difícil descrevê-la. Carrega tantas angústias, incertezas e desequilíbrio. Ao mesmo tempo que se adapta para entrar na montanha russa nada linear da vida. E ser madura, ser menina-mulher desde cedo, quando a natureza decide que está preparada para enfrentar a vida. Mente com delírios, com dúvidas, com certezas e rancores, mente que guarda os carinhos, as amigas queridas e todos os ‘eu te amo’ eternizados para sempre, na vida de uma mulher.

Existem muitos tipos de mulheres, aqui, escolhi para descrever as partes das que eu mais amo e admiro: minha mãe, minha irmã, minhas avós, minha tia, minhas primas e as melhores amigas.

Ser mulher é foda!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cidade de Bonito, toda beleza se reconhece nela!

Apertem os cintos, começa agora a descrição de Bonito - MS, com o olhar para o contraste entre o bonito, o feio e o medíocre.
Apresento a vocês a minha percepção sobre mais este pedacinho de terra que pude estar.


Partindo de São Paulo, aproximadamente 10 horas depois cheguei à pousada, logo me indicaram um chalé azul onde pude acomodar minhas coisas. Agradável o que estava diante de mim. Sol, uma piscina recém-cimentada e um loro a me saudar.

A primeira noite foi um choque, em todas as esquinas da rua principal os orelhões eram em formato de bichos, tudo ao redor enaltecia a natureza, mas quando procurei opções para comer em restaurantes apareceram os mais diferentes pratos com jacarés: por quilo, a lá carte, rodízio, na telha, no shoyo, molhado, ensopado e o que mais pudessem inventar.

Para ter história para contar me arrisquei e comi um pedacinho de jacaré. Não gostei, parecia frango xadrez, porém com um cheiro bem forte. Senti-me mal por comer um animal tão grande e imponente da floresta. Não pretendo repetir a experiência.

O primeiro passeio foi no Rio Sucuri, 1 hora de van vendo a mais verde vegetação, pasto para todo lado, e muitos, muitos hectares de terra.
Cheguei numa fazenda linda, aonde macaquinhos vinham me rodear. O passeio contemplava trilha na floresta, visita a nascente do rio e uma flutuação de cerca de 1 hora imersa a 35° nadando com peixes enormes, registrando o visual plástico que estava no fundo do rio, formado por conchas calcárias dos mais diferentes tamanhos e que se dissolviam apenas de encostar.

Fiquei feliz por ver aquela beleza reservada, tive a oportunidade de ver o rio em plena atividade de fotossíntese, foi incrível, mais legal foi saber que tudo está em perfeitas condições por conta das propriedades privadas rurais que fazem a manutenção da região. Mas triste de saber que os demais rios não recebem o mesmo tratamento por incompetência das autoridades da Nação.

Depois fiz um passeio de rafting pelo Rio da Prata, tive que segurar firme no remo e destinar um pouco da minha força para que o barquinho de fato saísse do lugar. Ardeu tudo nos meus braços. No ponto mais plano do rio o barco que eu estava encontrou com mais duas embarcações e juntos fizemos uma guerra de 20 minutos regada a muitos baldes de água fria. Que delicia!

Agora, 31° vejo na previsão que amanha chegaremos aos 34°, a vontade de querer viver mais invade meus pensamentos!

O terceiro passeio foi na Gruta do Lago Azul, uma cavidade com 40 metros de diâmetro, 77 de profundidade e 297 degraus de descida. Para poder presenciar uma formação rochosa milenar, ser recebido por centenas de mini borboletinhas laranjas e pretas, graciosas que vinham saudar minha presença. Morcegos, corujas e urubus se escondiam nas cavidades escuras dando um ar sinistro ao passeio. Pude acompanhar as gotas que caiam do teto e após 100 mil anos formarão uma torre estalactite. E se deparar a cada passo com uma água cada vez mais azul na medida em que incidiam os raios solares, rica em magnésio que parecia uma palheta de tons azulados dos quadros de Monet. Lindo demais!

Para encerrar, trilha de 3 horas em mata fechada, conhecendo os mais diferentes tipos de árvores (mangueira, babosa, jabuticabeira, pau rosa - responsável pela essência fascinante desenvolvida pelo perfumista Ernest Beaux a pedido da Coco Chanel) e cinco diferentes cachoeiras uma mais linda que a outra. Para ter acesso à última, mais uma vez entrei num barquinho e remei até a outra extremidade do Rio, cortando as águas ricas em bicarbonato de cálcio que a deixava limpa e estragava meus cabelos com tamanha purificação.

Aqui no meio de tanta água está o ponto alto da viagem. A cerca de quase três anos vivia desejando ir a uma cacheira para deixar cair aquela água gelada, forte e limpa da nascente do rio em meu corpo. Pude fazer isso, apesar de estar de colete salva vidas, me encaixei entre duas pedras e fiquei bem no centro da queda d’água. Por alguns minutos deixei a água lavar meu corpo com toda a sua imponência e gritei com toda a minha força: ‘Obrigada meu Deus por me proporcionar este momento’. Fiz uma oração e sai dali limpa das cobiças e invejas que rodeiam os paulistas. Senti-me purificada e uns 10 quilos mais leve sem essas energias negativas.

A volta à fazenda foi tranquila, comida caseira, bolos e cafezinho para fechar a experiência com chave de ouro. Relaxei em frente a um lago com cerca de 20 jacarés a me espiar, além de ter meu bolo coberto de doce de leite furtado duas vezes por um loro muito do atrevido.

Encerrei o passeio deixando meus agradecimentos em um livro de recados da Fazenda Mimosa.

De volta para a cidade, lugar exótico, sotaque caipira, tucanos, jacarés, onças em tamanho gigante para ser a atração na rua principal, para os turistas sedentos por fotos, fotos e mais fotos. Terminei comendo em restaurantes maravilhosos e experimentando os "sorvetes quentes" da região: amazing!!

Levei daqui a experiência mais maravilhosa da minha vida! Nadar com peixes, ser rodeadas por animais dóceis, ver três sucuris gigantes em procriação, me esbaldar nas comidas caseiras, e o mais importante me livrar do estresse de São Paulo.

Todos deveriam experimentar!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Amor Slow Motion.

Quantas palavras já foram transcorridas para criar-se canções, poemas, textos e estudos, todos com o objetivo de desvendar o amor e suas relações.

Há muito tempo queria escrever sobre relacionamentos, acho que por ser um assunto delicado e obscuro, acabei por me resguardar nesse sentido. Aos meus quase 25 anos tenho tanto para falar, seja de coisas que já vivi, que imaginei ou que apenas pude presenciar, criar meus pré-conceitos e julgar o que eu queria ou não para a minha vida.
Existem inúmeras formas de se relacionar sentimentalmente e listá-las por completo seria uma prática quase que impossível.

Um dos motivos de querer escrever este texto era ver se seria capaz de encontrar, entre minhas próprias palavras, os porquês para as minhas dúvidas.

Entender o porque relacionar-se é tão complicado, leva casais a loucura, apresenta a você faces da sua personalidade que você nem sabia que existia. Provoca as mais diferentes reações fisiológicas em nossos corpos e volto a perguntar: apesar de bom, por que é tão complicado?

Dentro de uma relação muitas vezes esperamos do outro que tudo seja perfeito, esperamos as melhores sacadas, as melhores frases de amor, as melhores respostas nas situações mais difíceis. Esperamos o aconchego, o ‘boa sorte’, o ‘tudo vai ficar bem’. Sempre esperamos mais. E quando essa expectativa não é correspondida, simplesmente jogamos no outro a culpa por nos vermos naquela determinada situação de frustração e incompatibilidade de sentimentos. Mas será que a lição não deveria ter sido aprendida em casa, antes de atazanar a vida alheia com as nossas perturbações? Será que não deveríamos ser mais seguros de si, com mais amor próprio para não deixar a falta de atitude do parceiro nos agredir tanto e nos tornar pessoas piores?

A lição pode ter sido aprendida, mas quando nos demos conta que não a aplicamos em nosso cotidiano, pode ser que já tenha ficado tarde demais e você terá como companhia apenas a saudade.

E de repente me pego sentindo saudades das saudades que nunca tive. Se não tive, era porque não merecia meu amor, por que não fez diferença entre tantas importâncias que dei na minha vida.
Se tivesse sentido saudades teria me incomodado a tempo de dizer ‘espera deixa eu tentar mais uma vez’.
Não sentir saudades não desperta dentro de nós a vontade intrínseca de tentar de novo, de fazer melhor. E é aí que o ser humano cresce, que percebe o quanto mudou, o que poderia ter feito de diferente.

Ahhh o amor...
Amor que dura a vida inteira, amor que vejo nos olhos de casais juntos há 60 anos. Olhos que se ligam, que falam mais do que mil palavras, olhos cúmplices de todos os pecados, todos os momentos. Olhos que quando se olham, me emocionam e fazem os meus chorar. Trazendo a tona as minhas curiosas lágrimas que querem assistir àquela tão bela cena, que invejam aqueles outros abrigos, aqueles outros olhos.

E aquele amor proibido? Que entra sem pedir permissão, que se envergonha por ter entrado sem explicação, mas que de um jeito que não sabemos como, se apodera de todos os cantinhos do nosso corpo. É como se esse amor jogasse um feitiço para que os cinco sentidos ficassem mais aguçados. Faz com que os olhos procurem o que não devem, as mãos apertem o desconhecido, tentando em 5 minutos aproveitar todo o tempo perdido. Mas então aonde é que estava a Vida em todos os outros momentos que não foram como esses? Esse amor faz com que tudo ao redor pare, faz com que duas pessoas sejam os protagonistas do espetáculo que acontece dentro de uma bolinha de neve. E o resto acontece literalmente em slow motion...ahhh como é bom sentir aquele friozinho na barriga e ser correspondido.

Amor diferente, sem igual, julgado pelos olhos sedentos por fofocas da sociedade, aquele amor sem porquês que não faz sentido. Aquela roupa que não combina, aquele jeito que não é como o seu, aquelas músicas que fazem seus ouvidos estranharem tamanha melodia descompassada que escutam. Amor passageiro.

Amor não correspondido, que tira seu sossego, que "atravessa o travesseiro, que revira pelo avesso", que mata nosso peito de ansiedade, que explode a vontade de encostar o outro na parede. Que faz com que até o branco do olho seja comparado mais uma vez tentando-se entender os porquês de ela...e não eu.

Amor adolescente, de beijo no meio da boca, de bilhetinhos na escola, de encontros as escuras, de mensagens na contracapa do caderno, da sorte no amor no papel da bala Freegells.

Amor tradicional, longos anos de namoro, noivado, papel passado e uma família Doriana. O casal que não briga, os filhos educados, o apê que parece capa de revista de decoração. Amor duvidoso.

Fecho citando o amor próprio, que floresce ou desaparece nos relacionamentos, o amor que tem força suficiente para te derrubar, mas também te tirar do fundo do poço.
O amor que te deu a chance de recomeçar sua vida, seja aos 20, 30 ou 60.

Então vejo que é esse amor próprio que faz com que o ser humano busque novos relacionamentos, que queira sempre mais, que te leva a loucuras de amor, faz com que você tenha mil histórias pra contar, mas que no final o único objetivo é amar e ser amado.

Deixo um convite para a reflexão: você já parou para pensar se a pessoa que está ao seu lado é a patrocinadora oficial dos seus frios na barriga? Ela que te dá os melhores beijos, te faz arrepiar inteiro, é a companhia que você quer dividir um sorriso na manha que acordar fazendo 80 anos? Ela que te acalma, que é seu porto seguro, que te apoia, que te faz crescer, que quer te ver lá em cima, feliz e realizado?

Think about it.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um céu de massinha.


‘’Prometi para um amigo que este texto seria mais doce, que lapidaria as pontinhas para que ficasse leve e delicado, sem minhas pitadas amargas dos últimos posts.’’

Antes de ser psicóloga, minha mãe era professora do ensino infantil, ela sempre me colocava para brincar com argila e aquelas massinhas coloridas, pedia para que eu moldasse o que estava sentindo no momento que brincava. Era um pouco difícil e nada sabia da importância que aqueles exercícios teriam mais para frente, aos poucos iam saindo um boneco de neve, uma família, um cachorrinho, uma bola...

Se caísse um copo no chão minha mãe não brigava, ela olhava e dizia: ‘’Viu? É isso que acontece.’’ O mesmo se repetia se deixasse cair um ovo, se escorregasse, se manchasse uma roupa, se tirasse notas baixas na escola. O objetivo dela era simples e genuíno, que experimentasse a vida sem tantos nãos, sem tantas amarras, porque a vida já se encarregaria disso, em casa, o cenário seria um pouco diferente.

Esse jeito de educar fez com que eu e meus irmãos fossemos mais livres ao mesmo tempo mais maduros e responsáveis, pois sabíamos que ela fazia isso, nos deixava soltos, porque confiava que não faríamos besteira.

A velocidade com que as informações são atualizadas nos sites de notícias e nas redes sociais, provoca, em algumas pessoas, a vontade de estar sempre criando, inovando, atualizando... postando.

Confesso que fui atingida por essa onda e me senti um pouco frustrada por, neste momento, não ter nada para falar. Fui tentar achar a causa desse meu vazio, como se algo estivesse errado e eu precisasse urgentemente consertar. De repente me veio uma vontade fora do normal de buscar incessantemente novas emoções, aventuras e experiências.
Fiquei com vontade de fazer uma fogueira, de ficar até de madrugada na praia, de morrer de rir numa balada com os amigos, em morar numa casa com pessoas de todos os cantos, em morar fora do país, em fazer uma tatuagem, em morar na praia, em aprender mandarim....ahhhhh quanta coisa eu quis fazer nesses 5 minutinhos que pensei.

Assustei-me.
Pensei que tudo isso se resumia apenas em viver.

Então será que minha vida está monótona e cotidiana demais? Como pode ser se estou sempre fazendo coisas diferentes, conhecendo lugares que nunca estive, fazendo novos amigos, marcando viagens incríveis, vivendo mudanças significativas na minha profissão, fazendo um curso que amo....pensei um pouco mais e cheguei a uma conclusão: tem momentos na vida que apenas queremos ficar mais quietos, outros queremos falar, outros sumir. Queremos escutar o barulho dos passarinhos lá fora, queremos não atender o telefone, não responder a uma mensagem, queremos apenas ouvir nossa respiração, acordar, cumprir com as obrigações e diversões e acordar para um novo dia. E não havia nada de errado comigo, apesar dos meus devaneios, apenas queria ficar em silêncio.

Desvendei o meu "problema" quando lembrei da minha mãe e expressei o que estava sentindo. Tranquilidade e silêncio.
Diferente da argila, que materializa para sempre o que é esculpido, a massinha permite que você volte atrás e refaça suas opiniões.
Foi o que eu fiz, antes fiz uma mistura de cores confusas, hoje o produto final é um céu azul.

Fiz dos meus pensamentos um pedaço de massinha. Dificilmente é assim tão fácil expressar os sentimentos, ainda mais se eles envolvem tantas nuances de um mesmo querer.

Gostei do resultado final.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um império na barriga.

Sem ideia, apenas com a palavra coerência na cabeça para começar a escrever esse texto.
Acho que falta coerência na raça humana. Nas atitudes, no livre arbítrio mal aproveitado, nas roupas escolhidas, nas opiniões expressadas quando não se tinha mais nada para falar e falou-se besteira.

Estou pensando na falta de coerência das adolescentes que colocam vidas no mundo sem se preocupar, nos excessos na vida dos jovens (pra que???) que saltam diante dos meus olhos, em gastar os tubos no cartão de crédito e no fim do mês receber um salário menor do que a fatura, em dar um sorriso amarelo quando alguém ao seu lado fala algo completamente inútil, colocar próteses de silicone na panturrilha, na bunda, na maça do rosto sem ao menos ter frequentado a academia, em pagar 300 reais em uma garrafa de vodka na balada só para impressionar os amigos. Não, de fato isso pra mim não serve.

Ser coerente não é falar difícil para impressionar, nem acertar nas respostas que te perguntam, não é viver dentro das regras e nunca "pensar fora da caixa".
Ser coerente é apenas usar o bom senso para viver em sociedade, sabendo compartilhar os momentos com sabedoria na frente dos outros e para você mesmo.

Volto um pouco as nossas origens, aos homens foi dada a terra e eles construíram um império; vieram as trocas e fez-se o comércio; surgiram as armas de fogo e com isso as disputas e uma guerra fria de amor ao próximo.
A ciência, a indústria, a internet fizeram a revolução do homem e com isso veio a sua degradação. A degradação no sentido mais literal que eu possa me expressar: o de destituição de uma dignidade, de depravação e degradação moral do ser humano.

Mesmo tendo evoluído em diferentes áreas, alcançado feitos inéditos, ido até a lua, feito de Marte nosso quintal, encontrado a maravilha das células-tronco, desenvolvido robôs que até choram e dão risada, o homem de certa forma teve uma parte atrofiada do seu desenvolvimento, ficou mesquinha, deixou a ganância falar mais alto, a competitividade tomar conta do seu instinto e cada dia que passa o que leva no centro da barriga, não é um rei, mas sim um império inteiro. Como se o mundo todo agisse em seu sentido.


Não sinto falta de um mundo regrado, que vive dentro de moldes chatos e pré-aprovados, que tira 10 na escola e nunca fala palavrão. Sinto falta apenas de um pouco mais de SE MANCOL, já ouviu essa expressão?

Bom saber que alguém lá do outro lado do Brasil, tem as mesmas angustias que eu:

‘’Na ilusão das palavras
traduzidas em ações
tento descobrir as respostas
para os meus porquês.

Escondidos sob o véu de intrigante lógica,
os argumentos e fundamentos se confundem,
se perdem, se reencontram, se fundem
e se mostram em pequenos senões de Verdade.

Viver, apesar das dificuldades.
Amar, a despeito de não ser correspondido.
Aceitar o que, todavia, não foi entendido.
Ser, não obstante a pressão do parecer.

E no desenrolar do que ainda não sou
confiar que a tradição e a experiência
trarão a coesão e a coerência
capazes de despertar o coração
oculto na busca da Divina Conjunção.’’

(Créditos à Gabriela Leite, postado no blog Acrópole Poética - Nova Acrópole - João Pessoa)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vou embora para Pasárgada?

E no meio das férias de julho, me pego fazendo uma prova de marketing destinada à graduação do 3º ano da turma que acompanho no curso de professor do futuro. E lá tinha a seguinte pergunta, qual é a principal influência dos desejos e do comportamento de uma pessoa? Dentre as opções, personalidade piscou diante dos meus olhos. Ao mesmo tempo que eu já formulava minha defesa para aquela questão, fui atrás da resposta e vi que eu estava errada. O fator que mais influencia uma decisão é a cultura.

Minha resposta baseou-se no fato de que por mais que uma pessoa tenha sido criada numa família de pais religiosos, ela pode ser um rebelde, um extremista, sair por aí massacrando gente inocente, colocando outros valores como certos para sua vida que não apenas os ditados pelos seus pais. E o que é mais forte que sua criação e que vai ditar a forma de agir de um cidadão, na minha opinião, é a sua personalidade.

Ela é quem vai conhecer seus instintos mais primitivos, vai ser seu guia, seu feeling para agir e decidir entre o certo e o errado, terá tatuado todos os seus rancores e satisfações que serão a causa mãe de suas atitudes, saberá o momento em que seu coração dispara e o momento em que a garra de continuar ou desistir será aflorada em sua consciência.

Mas o que é então a raça humana desprovida da sociedade e sua cultura? Das datas comemorativas alimentadas por um sistema caótico e burguês? O que é a grandiosa festa de casamento, a viagem internacional, as fotos tomando champagne na proa da lancha senão vestígios dessa cultura que absorvemos? Tenho de concordar que mesmo sem saber, somos guiados pelas mãos divinas da sociedade, muitas vezes carregadas de suas tradições, do senso (ultrapassado) comum que anda nas ruas, da amiga-da-vó-da-tia que julgou sua última decisão. E, principalmente, pelas influências culturais que recebemos desde que nascemos, muitas delas providas da ação manipuladora do mass media, ou se preferir mídia de massa, que está estampada em nossas caras.

Mas então que mundo é esse que fatores externos ditam mais do que nossa essência? Será que se morássemos no padrão de vida da Lagoa Azul, até hoje, seriamos mais puros, desprovidos de máscaras e vícios? Até o personagem do Manoel Bandeira se enganou, achando que Pasárgada o traria mais felicidade, mas até a pequena cidade da Pérsia, hoje chamada de Murghab, o enfeitiçaria com seus delírios burgueses. O tornaria escravo desse modo inconsequente de tomar decisões pautadas em realidades que não são as suas.

''(...) Vou-me embora pra Pasárgada
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada''

Fica a reflexão sobre as ondas culturais que você é impactado, será que você precisa mesmo de um carro novo ou basta passar a tarde jogando bola de gude com seus filhos para se sentir plenamente satisfeito?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Minha medalha.


Nunca ganhei medalhas nas competições de educação física quando estava na escola, sempre ficava de reserva, era tachada como a magrela fraquinha que pegava a bola igual boca de pato e a deixava cair. A única vez que meu time ganhou, as medalhas acabaram na minha vez, fiquei sem. Sabendo disso, a dona da escolinha que eu dava aulas de dança aos 16 anos, resolveu me dar uma feita de papel. Valeu a intenção! Mas ainda não me sentia satisfeita.

Pergunta: mas o que então a garotinha Carol fazia de útil a não ser estudar e não ganhar medalhas? Por oito anos me dediquei ao teatro, foi lá que aprendi a controlar minha voz, ter mais noção do meu corpo, postura, figurino e os diferentes personagens que devia incorporar para os cenários que ali se colocavam na minha frente.

Diferente da habilidade nas quadras, preferi a expressão pela fala e o fascinante poder de argumentação iniciado pela teoria Aristotélica. Pensava em fazer algo que eu realmente gostasse. Via aquelas pessoas correndo nas ruas fazendo coisas estressantes, trabalhando com o que não queriam e pensava: ‘’quero fazer parte do reduzido grupo de pessoas que trabalha feliz, fazendo o que gosta’’.

Escolhi a comunicação para fazer meu bacharelado. Dizer que tenho uma vida de borboleta, rindo para todos os lados não seria verdade, já tive gastrite nervosa, já fui para o pronto socorro por palpitação, já tive enxaquecas terríveis de nervoso. Pelo menos faço o que gosto e meus anos de teatro me ajudaram nesse sentido. Vou contar o porquê.

Parei de ter vergonha na hora de pedir um conselho, a saber escutar a "deixa" no final da fala, para dar minha opinião. Aprendi a sorrir com os olhos, a captar os mais tímidos movimentos do corpo de quem estava ao meu lado, a não titubear nas horas difíceis, a sacar os olhares que vacilaram e encontraram os meus. A acompanhar as pupilas ficando dilatadas, as mãos suando e saber o momento exato de chegar ao clímax do último ato.

Acho que tudo isso pesou de forma positiva na minha carreira, posso ser detalhista demais, ter sempre histórias para contar, a fazer caras e bocas e quem sabe até um pouco de drama, mas valeu conhecer um pouquinho dos homens que foram ‘’os caras’’ alguns séculos atrás, desde que era criança. Essa que foi a minha real conquista.

Sobre as medalhas? Venci meu trauma colocando como meta completar uma corrida de rua e hoje as exibo com orgulho!

domingo, 10 de julho de 2011

Em queda livre.

Quando eu era criança sempre escrevia "poprio" ao invés de próprio, mais para a frente no primeiro estágio escrevi que precisava aprovar um job que não era da minha "ossada", ouvia nas reuniões uma tal de alçada, mas nunca imaginei como escrevia. Já de carteira assinada escrevi que a ação era "B2B" ao invés de BtoB, e ultimamente descobri que Pequim é a forma aportuguesada de se escrever Beijing, achei ainda que isso havia se dado por causa das Olimpíadas há pouco tempo...mas sem chance. Pequim é Pequim desde sempre, eu é que estava por fora.

Passou pela minha cabeça que algumas pessoas pudessem pensar, "Nossa a Carol não vai se queimar em assumir essas gafes?" Sabe, já fiquei com muita vergonha dessas situações, hoje, apenas dou risada.

Vergonha mesmo eu tenho de outras coisas, uma delas é de querer algo e me privar por medo do que pode acontecer. Quantas coisas você já deixou de fazer por que não sabia se era adequado, se era o momento certo ou se iria se arrepender?

O tempo me deu a resposta, as decisões tomadas de cabeça fresca, de forma racional, e que são acompanhadas de um sentido, são as que eu confio e não me arrependo. Porque simplesmente muitas decisões que possam acontecer depois das suas escolhas, fogem no nosso "próprio" controle, não estão na nossa "alçada" e vão além de "bussines to bussines". E isso, você só vai aprender com o tempo.

Nem que tenha que ir até Pequim para tomar as decisões, vá, se seu coração mandar, faça, apenas viva as consequências depois.

O que eu posso dizer? Boa sorte nas suas escolhas e será uma pena ver o arrependimento se repetir!